Daniel Schwabe
Professor Associado da PUC-RJ

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    E-LEARNING | ENTREVISTA


Daniel Schwabe é professor associado do Dept. de Informática da PUC-Rio e PhD em Ciência da Computação, University of California – Los Angeles, 1981.

 

A entrevista concedida pelo Profº Daniel Schwabe aborda questões relativas ao atual cenário do e-learning: suas vantagens e desvantagens, as dificuldades enfrentadas sócio e culturalmente e suas tendências, bem como sua distinção em relação ao termo EAD, analisando ainda a Interface-TI dentro desse contexto.

 

ITI: E-learning está diretamente relacionado à internet?

Daniel: Eu diria que não. Tanto que o "e" é de eletronic. É e-learning de eletronic learning e não i-learning de internet. Tecnologias anteriores, como o CD-ROM, também podem ser um tipo de e-learning, se forem usadas para Ensino a Distância - EAD.

 

ITI: Qual é a diferença entre EAD e e-learning?

Daniel: EAD o próprio nome já diz: é a educação onde não há simultaneidade física entre professor e aluno no processo de aprendizagem. E-learning é um tipo de EAD, mas que usa suporte eletrônico, ou melhor, que usa suporte de Tecnologia da Informação - TI.

 

ITI: Porém, as pessoas relacionam quase que instantaneamente EAD a e-learning. Por quê?

Daniel: Isso ocorre porque, hoje em dia, o meio preferido para fazer a educação não presencial é o suporte de TI, principalmente a internet. Porém, e-learning pode ser presencial, inclusive com internet. Por exemplo: quando eu dou as minhas aulas, acesso sites, uso recursos tecnológicos e etc. Portanto, trata-se de e-learning porque estou usando apoio de mídia eletrônica.

 

ITI: Quais são as vantagens e as desvantagens do e-learning?

Daniel: As vantagens são que o e-learning possui mídia mais rica, que favorece o conteúdo e a absorção pelo aluno. Isto sob o ponto de vista de apoio ao ensino. Mas, tem um outro lado, referente a mudança de paradigma: ensino versus aprendizado. A proposta é construir um espaço onde o aluno possa decidir o quê e quando estudar, facilitar e propiciar que aprenda, respeitando ao máximo o seu estilo cognitivo. Podemos citar como desvantagem, além da falta de comprometimento, o fato de se ignorar que todos os cursos requerem um esforço pessoal, não suprido pela tecnologia. Em alguns contextos, é possível adquirir conhecimento através de auto-aprendizado à distância, mas, na maioria das vezes, faz-se necessário interagir com outras pessoas. Mais cedo ou mais tarde, o que se aprende precisa ser contextualizado com outras pessoas.

 

ITI: Você acha que hoje em dia ainda existe uma espécie de barreira cultural para ensino a distância?

Daniel: Sim, existe, mas depende muito do aluno. Aquele que tem necessidade concreta de aprendizado se adapta mais facilmente. Também existe a barreira tecnológica, pois algumas pessoas têm dificuldade de lidar com o computador. É uma questão cultural. Os mais jovens estão mais acostumados com a tecnologia. Quando o material é interessante, fica bem mais fácil para o aluno absorver o seu conteúdo. É necessário investir nisso.

 

ITI: Você acha que o e-learning, futuramente, pode vir a substituir o papel do professor?

Daniel: Não. Talvez substitua o professor clássico, aquele modelo em que o professor fala e os outros ficam ouvindo. Mas acho que isso não é o e-learning que está mudando, é o próprio ritmo do ensino. Porém, aqueles que não aprenderem a utilizar essas ferramentas estarão em desvantagem. Futuramente, esses recursos farão parte do aprendizado, mas não irão substituir o ser humano, ou seja, o professor. A mudança que está acontecendo é que uma parte desse trabalho está sendo colocada no aluno, através do conteúdo, o que justamente provoca a mudança de postura.

 

ITI: O e-learning que tem ferramentas de interatividade e outro que não tem essas ferramentas possuem a mesma "qualidade"?

Daniel: Não, claro que não.... O suporte eletrônico não causa mudança de postura. O aluno pode se manter na mesma postura de sala de aula e no curso de e-learning. O que acontece é que, hoje em dia, a nossa cultura estimula mais a interatividade, seja com conteúdo, com professor ou com ambos. Isso faz parte da evolução da nossa cultura. Nosso desafio é aproveitar isso.

 

ITI: Como você vê a Interface-TI dentro deste contexto ?

Daniel: O que a Interface TI procura fazer é exatamente criar as ferramentas e as condições que facilitem o processo de aprendizagem à distância. Não é fácil fazer um bom conteúdo para esse tipo de ambiente. Na elaboração do roteiro temos que explorar todas as ferramentas e pensar na melhor forma de apresentá-lo. Acho que a Interface-TI tem esse papel de, aos poucos, ir mostrando as alternativas e desenvolver uma cultura para explorar melhor tudo isso.

 

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